Pernambuco (São Paulo) – “nós catadores, cidadãos do bem, temos que ser respeitados”

A vida do trabalhador brasileiro não é fácil, e quando o trabalho envolve ter que andar nas ruas de São Paulo, com uma carroça e recolhendo todos os tipos de materiais recicláveis, a dificuldade aumenta 3x mais.

A reciclagem é um meio de sobrevivência para muitas pessoas, que não tem uma oportunidade de trabalho ou enxergou nela uma segunda opção para ganhar uma grana a mais. O trabalho de um carroceiro, não é nada fácil. Diariamente estão expostos a humilhação por uma sociedade que não entende o quão importante é o seu trabalho, e por isso, são invisíveis aos nossos olhos.

“Isso é um trabalho de sobrevivência para mim e meu cachorro pingo, é através dessa carroça”, conta Pernambuco, como é chamado e conhecido pelas ruas do centro de São Paulo, tem seus 28 anos e veio de Petrolina, PE, para trabalhar na capital. Para ele a vida é mais complicada, não tem um teto para morar, muito menos uma família para ajudá-lo em momentos difíceis “não tenho mais notícias dos meus pais depois que vim pra cá, meu pai já faleceu, quero falar com a minha mãe, mas não sei como entrar em contato”, disse.

Já foi preso pela polícia sem ter feito nada, acusado de estar traficando no vale do Anhangabaú “já me jogaram na cadeia com uma outra carroça, eu tinha cochilado e quando acordei, um policial estava me dizendo que eu era traficante”, e continuou dizendo, “me deu umas bicudas, depois me levou preso, e tirou até minha antiga carroça”, contou. Sem família, nada pôde fazer, a não ser continuar na prisão “não tenho família, nem nada, tive que ficar preso”, falou.

Além das pauladas, barradas de ferro e acorrentadas que leva da polícia, passa constantes humilhações no seu dia a dia, por pessoas sem educação, amor ao próximo e um mínimo de respeito, pernambuco conta que sofre sim, muito preconceito “rapaz, um cara já jogou bagaça em cima de mim”, além disso conta que já jogaram mijo nele “uma vez jogaram uma garrafa de mijo de cima do prédio em mim, jogam e não tem como você dizer quem foi, vai chamar a polícia mas sua palavra não vai valer de nada, nem tem como provar”, disse.

Apesar dos perrengues que já sofreu e sofre, com um tom de felicidade em sua voz, pernambuco conta que gosta do trabalho que faz e acha importante “sim, eu acho importante, não vou mentir, é uma coisa maravilhosa, porquê estou limpando a cidade e mantendo o ambiente limpo”, falou.

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Pernambuco e seu cachorro pingo.

É preciso conscientizar as pessoas que o trabalho realizado por carroceir@s, é tão importante quanto qualquer outra profissão, e não só tomar consciência sobre o trabalho feito, mas também pelas pessoas que o realizam, para pernambuco tem que a haver mais respeito “nós catadores, somos cidadãos do bem, temos que ser respeitados”,confirmou.

A vida de pernambuco pode ter seus momentos difíceis, mas não é solitária, assim ele é feliz, ajudando o meio ambiente, fazendo sua parte e ganhando uma graninha ou outra, que ajuda à comprar a ração para o seu tão amado e fiel companheiro, o pingo, um vira-lata dócil e preguiçoso, que reconhece o chamado do seu dono por um assovio ”hoje moro na rua, eu e o pingo, quando quero chorar vou chorar com o pingo, é ele quem me consola e conversa mais eu”, terminou dizendo.

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