Guerreiros da Chico Mendes: 20 anos de serviço ambiental não podem ser apagados por uma ordem de despejo.

O cenário muda de endereço, mas a história se repete: em Diadema, a Cooperativa Guerreiros da Chico Mendes, que há mais de 20 anos é referência na gestão de resíduos e sustenta oito famílias no ABC, recebeu uma ordem de despejo. A justificativa? "Regularização da área". O detalhe: a própria cooperativa solicita essa regularização há anos, sem resposta.
Se isso soa familiar, é porque é. Em São Paulo, a Coopamare, a cooperativa mais antiga do país, enfrenta a mesma pressão.
Isso não é um caso isolado. É um problema estrutural.
Quando prefeituras priorizam o despejo em vez da parceria, elas ignoram que catadores e catadoras são os verdadeiros agentes de mitigação da crise climática. Expulsar uma cooperativa de seu território é interromper um ciclo de cuidado com a cidade e de dignidade profissional que levou décadas para ser construído.
A Prefeitura de Diadema está indo na contramão da lei. A Lei 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) é clara: as administrações públicas e empresas devem priorizar soluções que incluam social e economicamente catadores e catadoras. Expulsar esses profissionais de seus territórios é um retrocesso ambiental e social.
A regularização deveria ser o caminho para o investimento e para a infraestrutura, nunca um pretexto para a exclusão. Precisamos falar sobre como o poder público enxerga o trabalho da reciclagem: como um "problema" a ser removido ou como a solução que ele de fato é?
Nossa solidariedade aos Guerreiros da Chico Mendes. Não vamos deixá-los sozinhos nessa.
Proteste e defenda a cooperativa!



