Sábado é dia de luta: participe do Abraço à Coopamare

Foto: Arquivo Coopamare 2026
O meio ambiente urbano e a história de São Paulo estão sob ataque. A cooperativa Coopamare, pioneira da reciclagem com inclusão social no país, recebeu uma ordem de desocupação da Prefeitura de São Paulo. São 37 anos de história, geração de renda para mais de 80 famílias e mais de 100 toneladas de resíduos desviados dos aterros sanitários todos os meses.
No mês de março de 2026 os catadores receberam um “Auto de Infração” da Subprefeitura de Pinheiros indicando que eles estavam ocupando ilegalmente os baixos do Viaduto Paulo VI, onde passa a Avenida Sumaré, no entanto, o grupo recebeu a concessão de uso do espaço pela mesma Prefeitura de São Paulo há décadas.
Nós não vamos assistir à expulsão da categoria das áreas centrais da cidade em silêncio. Por isso, neste sábado, dia 4 de julho, a partir das 9 horas, a sociedade civil, movimentos sociais, catadores autônomos e cooperados vão se reunir na Rua Galeno de Almeida, 659, para o ato de resistência Abraço à Coopamare.
Por que essa luta é de todos nós?
A cooperativa já faz parte da história da cidade de São Paulo e ensinou várias gerações sobre a importância da proteção ao meio ambiente aliada à inclusão social, inspirando outros grupos de catadores de materiais recicláveis a se formalizarem. A estimativa é que existem 3 mil cooperativas e associações de catadores em atividade no Brasil. A categoria é reconhecida desde 2002 pela
Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) e esta incluída na legislação brasileira principalmente pela Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dados do Cadúnico informam que a cidade de São Paulo possui ao menos 42 mil catadores de materiais recicláveis em situação de vulnerabilidade.
"A Coopamare é uma referência em organização de catadores em São Paulo. A primeira cooperativa formada por catadores autônomos, com uma história de mais de 30 anos investindo em formação, inclusão social e dignidade aos catadores. É muito importante que a Coopamare fica porque ela é referência em transformação de vidas. O abraço à Coopamare é o simbolo da inclusão social das catadoras e catadores de São Paulo", comenta Nanci Darcollete, catadora e diretora do Pimp My Carroça.
Para afastar alegações de risco de incêndio no viaduto a cooperativa buscou investimento em equipamentos no local que hoje conta com sistema de combate a incêndio, hidrantes , alarmes, além de treinamento de brigada civil anti-incêndio para lidar com situações de emergencia. Durante todo sua existência, nunca houve nenhum incidente ligado a segurança ou risco de fogo no local de trabalho. No entanto, a presença de catadoras e catadores, cerca de 80% dos quais negros e negras, carrinhos de tração humana e o processamento de resíduos sólidos recicláveis no viaduto incomoda moradores e empresas que estão no entorno. Há cerca de 100 metros da Coopamare um novo empreendimento imobiliário gigantesco vem sendo erguido.
“Na minha visão tem muita especulação imobiliário nessa questão. Depois que começou a construir esse prédio do lado, começamos a entender porque querem nos tirar daqui novamente. Tem até vereador que é ligado a essas construtoras e vieram nos convencer a sair”, relata Eduardo Ferreira de Paula, membro-fundador da cooperativa e liderança do Movimento Nacional dos Catadores/as de Materiais Recicláveis (MNCR). O catador também tem ouvido que comentam na região sobre um projeto de feira gastronômica que querem fazer onde hoje funciona da cooperativa.
Serviço:
Ato: Abraço à Coopamare
Data: Sábado, 04 de julho de 2026
Horário: A partir das 9h
Local: Rua Galeno de Almeida, 659 - Pinheiros, São Paulo - SP



