Cidade mais preta do Brasil tem a pior coleta seletiva do país

Serviço em Serrano do Maranhão não recolhe nem 2% dos resíduos do município; comunidades quilombolas são as mais afetadas
A cidade de Serrano de Maranhão/MA, a mais preta do Brasil, tem o pior serviço de coleta de resíduos do país. O dado foi divulgado em nota técnica do Censo 2022 do IBGE. O mesmo Censo revela que o município também é o mais preto do Brasil proporcionalmente, com 58,74% da população declarada preta - o equivalente a 5.993 de 10.202 habitantes, com maioria quilombola.
Mariana Belmont, jornalista e assessora sobre clima e racismo ambiental no Geledés Instituto da Mulher Negra, explica: “Se a cidade tem maioria de população negra e os serviços públicos que deveriam melhorar a qualidade de vida das pessoas, inclusive pensando em saúde e educação, não são prioritários, a gente pode chamar de racismo ambiental”, afirma a jornalista.
Segundo os moradores, a coleta seletiva só começou em 2023. O líder quilombola Eremilton Ferreira, em entrevista à Folha de São Paulo, explicou: “Quem tinha mais condição financeira, pagava carroça pra limpar os quintais e jogar no lixão que tinha perto. Só dois quilombos têm a coleta (…) por serem os mais próximos da cidade”.
Com a quarta maior população quilombola do Brasil, a maioria dessas pessoas vivem na zona rural, e dos somente 5,36% dos habitantes que são considerados ocupados pelo Censo (ou seja, com emprego formal), 60% vivem com meio salário mínimo. Localizada no norte do Maranhão, Serrano tem apenas 2,7% da população branca e 97,45% é negra (58,74% preta e 38,71% parda). Antes um bairro do município vizinho de Cururupu, Serrano do Maranhão só se tornou uma cidade em 1994.
“Isso demonstra claramente o desinteresse do Estado em ofecerecer serviços públicos adequados aos territórios negros. Por que um bairro branco é priorizado e o território negro é menos priorizado nos serviços públicos como a coleta seletiva?”, questiona a jornalista.
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